2. Símbolos litúrgicos

Costumam dizer que a bandeira nacional é um símbolo da pátria. Isto quer dizer que quando você vê ou toca a bandeira, logo seu pensamento voa até o país que ela representa, por exemplo, o Brasil. Então, através da bandeira do Brasil você passa a considerar tudo o que pertence ao Brasil, sua extensão, as matas, os rios, as riquezas, o povo, enfim tudo o que faz parte do Brasil. Esse alguém ofender a bandeira, mexe com o sentimento patriótico. Então o símbolo (objeto) nos transporta para outra realidade que está além do símbolo e tem relação com símbolo. Vamos dar um exemplo, tirado do mundo cristão: o crucifixo. Todo cristão reconhece no crucificado a pessoa de Jesus Cristo, que redimiu do pecado e nos salvou. Portanto, aquele objeto de metal, madeira, ou de outro material, simboliza nosso Redentor, Jesus Cristo. Por isso tratamos com respeito o crucifixo.
Gestos simbólicos são ações que têm a mesma função do símbolo, isto é, nos
transportam para outra dimensão, outra realidade, que, porém tem relação com o gesto simbólico. Por exemplo, no início e no fim, da missa o padre traça sobre si o sinal da cruz, enquanto diz as palavras “Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo“. É um gesto simbólico, que nos remete à Santíssima Trindade a que invocamos nesses momentos.

Sinais ou símbolos cristãos utilizados com freqüência na liturgia
 
ΑΩ- São a primeira e as últimas letras do alfabeto grego (Alfa e
Omega). São aplicadas a Cristo, principio e fim de todas as coisas. Em geral aparecem no círio pascal, mas também nos paramentos litúrgicos, no ambão e nos tabernáculos (sacrários).


XP- Este sinal é formado por duas letras do alfabeto grego (X-P) e correspondem ao C e R da língua portuguesa. Ajustando as duas, formavam-se as inicias da palavra Cristos: Cristo. Com freqüência este sinal aparece nos paramentos dos padres, no ambão, na porta do sacrário e na hóstia.

 
PEIXE: Símbolos de Cristo. No inicio do cristianismo, em tempos
de perseguição, o peixe era o sinal que os cristãos usavam para representar o Salvador. É que as inicias da palavra peixe na língua grega –IXTYS- explicavam que era Jesus: Iesus Cristos Teós Yós Sotér: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador.


 INRI- São as inicias das palavras latinas Iesus Nazarenus Rex Iudocorum, que significaram: Jesus Rei dos Judeus. O Evangelho de João nos informa que estas palavras estavam escritas em três línguas (hebraico, latim, grego) sobre a cruz de Jesus (cf, João. 19,19).

 
Triângulo: com três ângulos iguais (eqüilátero) representa a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).



Os símbolos falam por si e têm grande poder de comunicação. Podemos escolher os símbolos para as celebrações, mas não devemos explicá-los, porque, à medida que explicamos, empobrecemos seus significados e encurtamos os seus alcance. Cada pessoa será atingida pelo símbolo conforme sua compreensão, sua historia de vida, sua situação no momento atual. Um símbolo bem aproveitado nas celebrações poderá ser suficiente para atingir os objetivos desejados pela equipe da liturgia. Por isso, sou do parecer que, numa mesma celebração litúrgica, não se devem acumular símbolos. Símbolos amontoados soam símbolos de símbolos desperdiçados.
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